Juarez de Oliveira — o Esperafelicense
De origem humilde, Juarez de Oliveira nasceu em 20 de dezembro de 1940, nas terras de Espera Feliz, Minas Gerais — cidade que carrega no nome a alma de seu filho mais ilustre.
Seu pai, Alencar de Oliveira, era exímio barbeiro — e sua barbearia era muito mais do que um estabelecimento comercial. Era uma extensão da casa, o ponto de encontro dos senhores da cidade, lugar de causos, opiniões e boa prosa. Sua mãe, Zulmira Passos de Oliveira, cabeleireira de instinto maternal, acolhia com igual carinho uma prole de sete filhos biológicos e outros cinco de afeto — sem que faltasse ternura para nenhum deles. Foi nesse lar generoso, perfumado de brilhantina e afeto, que Juarez aprendeu o valor das pessoas simples e a arte de tratar bem a todos.
Foi o próprio Reverendo Cícero Siqueira — diretor do Internato Presbiteriano de Alto Jequitibá — quem estendeu o convite. Corria pela região a fama de que o menino Juarez era um notável jogador de futebol, e o reverendo, homem de visão, sabia que talento não devia ser desperdiçado. Alencar, o pai, ouviu o convite com o coração apertado — a ideia de ver o filho partir para o internato pesava como pedra. Mas a razão falou mais alto: sob os cuidados dos presbiterianos, Juarez teria um futuro muito melhor do que o que as ruas de Espera Feliz podiam oferecer. Com um aceno de cabeça e o peito cheio de esperança, Alencar autorizou a partida do filho.
O sol da manhã ainda não havia vencido o frio característico das encostas da Serra do Caparaó quando o jovem Juarez cruzou o pátio do Internato Presbiteriano de Alto Jequitibá. Vestindo o uniforme impecavelmente passado, sentia o peso e o orgulho de pertencer a uma das instituições mais respeitadas da região. Para um menino da década de 50, aquele ambiente era um universo à parte, onde o rigor da disciplina presbiteriana se encontrava com a promessa de um futuro brilhante.
Ele caminhava pelos corredores de arquitetura imponente, cujas paredes pareciam ecoar os hinos entoados nos cultos matinais. A rotina era marcada pelo som do sino: do despertar no internato ao silêncio absoluto nas salas de estudo. No recreio, entre um pão de queijo e uma conversa rápida com colegas vindos de terras distantes, Juarez convivia com a figura severa, porém paternal, do Reverendo Cícero Siqueira. Era um aprendizado que ia além dos livros — era a formação do caráter, fundada na ética e no trabalho.
À tarde, o campo de futebol tornava-se o palco das maiores glórias da infância, onde o pó da terra vermelha de Minas subia enquanto os meninos corriam sob o olhar atento dos monitores. Ao cair da tarde, quando a névoa começava a descer sobre a pequena cidade, Juarez sentava-se para escrever ou revisar suas notas. O silêncio do internato, interrompido apenas pelo som distante de um piano vindo da sala de música, trazia uma sensação de paz e ordem.
Daquelas vivências de menino, entre a disciplina do internato e a liberdade dos sonhos, Juarez começou a moldar a visão de mundo que o acompanharia por toda a vida.
O futebol, que abriu as portas do internato, nunca abandonou Juarez. Já adulto, ele frequentava, aos finais de semana, a cidade de Tietê no interior de São Paulo para jogar no Comercial Futebol Clube, time tradicional da cidade que o acolheria para sempre. Nos gramados do Estádio José Ferreira Alves, Juarez também fazia poesia — só que com os pés. E quem o viu jogar, nunca esqueceu. Em uma dessas ocasiões conheceu uma linda moça tieteense por quem se apaixonou e com quem veio a se casar. Ana Amélia, formosa professora e pianista.
Com esforço e dedicação, formou-se Bacharel em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito Bras Cubas. Tornou-se, por décadas, Editor Jurídico da tradicional Editora Saraiva — onde seu nome ficou onipresente nas obras técnicas das décadas de 80 e 90. Organizou e editou inúmeras edições da Constituição Federal do Brasil, da CLT, do Código Civil, do Código de Processo Civil e tantas outras obras de legislação. Posteriormente, fundou a Editora Juarez de Oliveira, voltada a títulos jurídicos e acadêmicos. Da união com Ana Amélia, teve dois bem sucedidos filhos: Ana Claudia, Advogada e Psicóloga Clínica e Eduardo, Empresário e Músico.
Membro da União Brasileira de Escritores — SP, Juarez é também poeta e letrista de alma mineira. Sua obra literária é marcada por um tom nostálgico e regionalista, explorando a vida no interior, a infância, a saudade e os elementos da cultura de Minas Gerais. Participou de coletâneas de poesia brasileira contemporânea, e entre suas composições se destacam textos como Chegados do Norte, No Baile e Espera Feliz.
Autor do Hino de Espera Feliz, sua cidade natal, Juarez assinou incontáveis letras musicais em todos os estilos. Amigo de todos, de bom papo e boa temperança, ele guarda para sempre o aroma do café fresco e o espírito hospitaleiro da Alto Jequitibá dos anos 50.
Aos mais de oitenta anos, Juarez não parou. Escreve diariamente, com especial predileção pelas letras de música — que publica tanto na forma escrita quanto musicada, provando que a criatividade, assim como a boa prosa, não tem idade.